A transfiguração de mim em outro
não se processa na ação
de não ser eu e de ser outro
mas de ser o eu do outro de mim
e não ser outro
íntimo de mim quando me esqueço
sou-me estrangeiro na imagem do espelho
vivo com a obstinada certeza de ser sempre visto
em troca da frustração de jamais chegar a ver-me
na voz nos sonhos na epiderme
a pessoa que em mim conheço
é loucamente diversa da que me conhece
se é noite
ela me chama carlos
se claro
eu que a chamo vogt
(simultâneos um do outro
nos chamamos então de outros tantos nomes)
sendo assim autênticos e banais em nossa diferença
convivemos relativamente confortáveis no mesmo homem