A reticente dor de confessar-me
estar segura minha mão escapa
em gestos largos de ranhura e escarpa
o sangue rouco arregaçando a carne
por mágoa sem remédio de calar-me
se quantos naufragaram nessa mata
a casa era vazia: tédio e nada
previa na certeza o falso alarme
ressoa na clareira um grito agudo
são bruxas minotauros sentinelas
que enxotam competentes o absurdo
esgarçam duras peles folhas velhas
moldura quadro seco fruto mudo
retórica dos braços nas janelas
sentado na beira da cama
herói de falsos perigos
converso com as feras saudades
que o copo de uísque reclama
passo por garras impune
mas vejo deitar-se na noite
a mão de um menino ferido
além de ferida
guardada
em redonda insuficiência
a mão na noite deitada
é o tempo datado em silêncio
serena como num ovo
em águas de estagnação
a noite na mão do menino
dobrada em anzol de cristal
é ponto de interrogação:
torto para diferenças
só fisga em soluços constantes
a mesma história banal